O joelho
O joelho é a maior articulação do corpo humano e uma das mais lesadas. É formada pela articulação do fêmur com a tíbia e a patela, sua estabilização é obtida pela anatomia óssea, pelos ligamentos, meniscos e cápsula. A superfície dos ossos que se tocam na articulação é revestida de cartilagem articular (camada de tecido que permite o deslizamento perfeito das superfícies).
Existem dois meniscos - o medial e o lateral, que são fibro-cartilagens (tecido fibro elástico) em forma de “C” que atuam como amortecedores e estabilizadores da articulação. Existem os ligamentos - que são os dois cruzados, anterior e posterior, e os colaterais medial e lateral - que orientam e limitam os movimentos e conectam os ossos, estabilizando a articulação. A articulação é revestida por fino tecido, a membrana sinovial que produz um líquido, responsável pela lubrificação do joelho. Músculos da coxa geram força e mobilidade.
Mecanismo de lesão
As atividades do dia-a-dia causam intensa sobrecarga aos joelhos. Os atletas são os mais sacrificados, pois os seus joelhos sofrem constantemente traumatismo de toda a espécie.
Normalmente todas as estruturas do joelho funcionam em harmonia, permitindo os movimentos. Gestos esportivos, quedas, acidentes, artrites ou desgaste das estruturas podem resultar em dor e alteração da função do joelho.
Principais mecanismos de lesões:
- Entorse com o joelho fletido a 20-30° e pé preso no chão, pode causar o esmagamento dos meniscos pelo côndilo do fêmur na superfície da tíbia.
Dependendo da força no joelho o trauma pode se agravar, levando a lesões nos ligamentos e cartilagem articular pelas forças de cisalhamento.
Sinais e sintomas.
Inchaço e dor persistente no joelho, falseio, perda da confiança no membro, dor e articulação que trava podem significar patologia intra-articular do joelho. Quando o tratamento conservador - como medicação e fisioterapia não surtiu o efeito desejado a artroscopia pode ser a solução. Indivíduos na faixa etária entre 20 e 60 anos são os que mais se beneficiam deste procedimento.
Usos da artroscopia
A artroscopia pode ser usada para diagnosticar e tratar muitas patologias:
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Lesões meniscais
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Lesões ligamentares do ligamento cruzado anterior e cruzado posterior
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Lesões de cartilagem articular
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Retirada de corpos livres ou fragmentos de cartilagem
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Lesões sinoviais inflamatórias como artrite reumatóide
Vantagens
A artroscopia é um procedimento mais simples, menos invasivo e provoca menos transtornos do que a chamada “cirurgia aberta”, na qual pele, subcutâneo, cápsula articular são abertos. A maioria dos pacientes que é submetida à este procedimento recebe alta hospitalar horas após (day hospital), reduzindo os custos hospitalares e o período de afastamento das atividades profissionais e esportivas.
A cirurgia e a recuperação
Pode ser utilizada anestesia tipo geral, raqui ou peridural.
O procedimento é realizado através de 2 ou 3 pequenas incisões. Soro fisiológico é introduzido no joelho, que é totalmente inflado, permitindo uma visão clara e nítida. O joelho é inspecionado - avalia-se a patela, o compartimento medial com a cartilagem que reveste o côndilo do fêmur, a tíbia e o menisco medial. Em seguida o compartimento lateral é avaliado da mesma forma, e então se examinam os ligamentos cruzados anterior e posterior.
Caso necessário, pequenos instrumentos - como pinças, tesouras artroscópicas, bisturi artroscópico, shaver (que é um aparelho motorizado) - são inseridos pelas outras incisões triangulando para realizar os procedimentos cirúrgicos.
Os procedimentos protocolados são:
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Tratamento de lesões meniscais, seja retirada parcial do fragmento lesado ou sutura
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Tratamento de lesões ligamentares
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Retirada de fragmentos soltos de cartilagem ou ósseos
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Ressecção de sinovial inflamada
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Tratamento de lesões de cartilagem articular
Complicações
Os possíveis problemas no pós-operatório da artroscopia do joelho são infecção, comprometimento venoso (trombose venosa) e acúmulo de sangue no joelho (hemartrose). São infreqüentes perfazendo menos de 1% das cirurgias e quando identificados são tratados.
Recuperação
A recuperação pós-artroscopia é muito mais simples que na cirurgia aberta. O paciente pode caminhar com descarga de peso (mas em alguns casos o uso de muletas pode se tornar necessário). A recuperação é rápida e eficiente e deve ser feita seguindo protocolos fisioterapêuticos.
A fisioterapia consiste em exercícios para ganhar a amplitude normal de movimento e força muscular. Devem ser feitos exercícios isométricos para fortalecer quadríceps, isquiotibiais e glúteos.
Exercícios proprioceptivos (para retomar a capacidade de receber estímulos do organismo) devem ser realizados antes do paciente voltar à prática esportiva.
Existem protocolos definidos para cada procedimento em particular.
Alexandre Diniz