Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a relação entre a alimentação, a atividade física e as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) mostram que alguns componentes da dieta podem provocar efeitos adversos ao organismo. Componentes como colesterol, ácidos graxos saturados e trans e sódio, aumentam o risco de doenças cardiovasculares (DCV) quando consumidos em periodicidade e quantidades inadequadas.
Atualmente a manutenção da saúde alcançou uma abrangência maior que vai além da terapia medicamentosa com a inclusão do conceito de prevenção de doenças. Neste contexto, a alimentação tem um papel cada vez maior contribuindo para este conceito visto que a constatação da existência de uma relação inversamente proporcional entre o aumento do consumo de frutas e verduras e a redução de patologias como cardiopatias serviu de elemento propulsor para o despertar do interesse por alimentos funcionais.
Os alimentos funcionais não podem ser confundidos com as formas tradicionais de fármacos. As ações benéficas desses alimentos dependem de vários fatores tais como: o estado fisiológico dos indivíduos, os fatores genéticos e a composição da dieta.
De acordo com a legislação brasileira, Resolução 18 e 19 de 30 de Abril de 1999 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA, o termo correto é definir os alimentos funcionais como alimentos com propriedades funcionais ou com propriedades de saúde: O alimento ou ingrediente que alegar propriedades funcionais ou de saúde pode, além de funções nutricionais básicas, quando se tratar de nutriente, produzirem efeitos metabólicos e ou fisiológicos e ou efeitos benéficos à saúde, devendo ser seguro para consumo sem supervisão médica.
Dentre os muitos alimentos funcionais destacamos o alho (Allium Sattivum L.), um bulbo da família das Liliáceas que contém compostos sulfurados e não sulfurados que dão a ele a propriedade de alimento funcional.
As substâncias com atividades biológicas do alho originam-se após a hidrólise de um precursor contido no vegetal, pela ação de uma enzima. Substratos e enzima encontram-se em compartimentos distintos no vegetal intacto e a enzima só entra em contato com o seu substrato após o rompimento das paredes celulares. Por isso, o alho só tem seu efeito funcional ao ser esmagado ou cortado.
Alho x Hipertensão
Estudos avaliando o efeito do extrato hidroalcoólico de bulbos de alho sobre a pressão arterial de ratos, observaram que a ingestão de alho pode reverter efeitos negativos da dieta rica em gordura, interferindo na reatividade do vaso via relaxamento do endotélio dependente de óxido nítrico (NO). É provável que o alho tenha ação relaxante sobre a musculatura lisa da parede das artérias.
Há evidências de que o relaxamento das artérias mediado pelo derivado endotelial Óxido Nítrico (NO), esteja enfraquecido em animais com hipercolesterolemia e aterosclerose, o que justificaria um quadro de hipertensão.
Uma recente pesquisa com ratos, demonstrou que o alho atua como hipotensor em quadros de hipertensão instalada. Ratos foram separados em 4 grupos sendo o primeiro grupo tratado com solução salina (controle), o segundo grupo com alho, o terceiro grupo com L-nitroarginine methylester (L-NAME indutor de hipertensão), e o quarto grupo tratado com L-NAME + alho. Durante 2 semanas foram aferidos a pressão arterial dos ratos e foi observado que o grupo tratado com L-NAME + alho (quarto grupo) tiveram a pressão arterial reduzida. Atenta-se que apenas este grupo tinha hipertensão induzida pelo L-NAME, o que demonstrou que o alho atua de forma benéfica como hipotensor apenas quando a pressão arterial esta elevada.
Alho X Metabolismo Lipídico
A hiperlipidemia é um fator de risco importante para doenças cardiovasculares e infarto do miocárdio. A hipercolesterolemia é um dos principais fatores de risco para aterosclerose. Sendo assim, níveis de colesterol podem reduzir significativamente o risco para doenças cardiovasculares. A oxidação da lipoproteína de baixa densidade (LDL) tem um papel determinante na iniciação e na progressão do processo aterosclerótico. Há evidências de que diversos compostos bioativos do alho podem inibir a oxidação de LDL. A utilização por pouco tempo (aproximadamente 3 semanas) dos compostos bioativos do alho provoca a resistência aumentada da LDL à oxidação, sendo este um dos mecanismos que esclarece os efeitos benéficos da ingestão de alho na saúde cardiovascular.
Um estudo randomizado duplo-cego realizado em 2004, teve por objetivo avaliar a alteração nos níveis de colesterol e os efeitos colaterais da ingestão de tabletes de alho em comparação a um grupo placebo. Participaram 100 voluntários, homens e mulheres com faixa etária média de 47 anos, nível médio de colesterol total de 250 mg/dL. Estes indivíduos foram separados em: grupo experimental (47 voluntários) que ingeriu nos primeiros três meses tabletes de alho (contento 1,5% de alicina), nos três meses seguintes placebo e nos últimos três meses tabletes de alho e placebo alternadamente. O grupo controle (55 voluntários) ingeriu nos primeiros três meses placebo, nos três meses seguintes tabletes de alho (contento 1,5% de alicina), e nos últimos três meses tabletes de alho e placebo alternadamente. Não houve alteração significativa nos níveis de colesterol e também não se observaram efeitos colaterais sérios no fígado ou rim, sendo que os efeitos colaterais principais relatados foram dor de cabeça, comichão e queixas de aroma de alho.
Os estudos relatam que para se obter benefícios à saúde, o indivíduo deve consumir aproximadamente 3 a 4 dentes de alho in natura por dia. Isso porque o alho ao ser submetido à alta temperatura 100ºC após 20 minutos sofre uma perda de seus componentes bioativos. Mas para preservar a bioatividade dos componentes, recomenda-se adicioná-lo à preparação nos últimos 20 minutos do processo de cozimento.
Diante do exposto, vale ressaltar que a atuação do nutricionista é primordial, pois este profissional tem como principal instrumento de trabalho o alimento e a alimentação. Desta forma deve promover a conscientização sobre a importância da alimentação saudável para garantir a saúde, prevenir e modificar doenças.
Fontes:
(GOMES e MUNIZ, 2000).
(MILNER, 1999).
Roberfroid et al. (1988):
(POTTER e STEIMETZ, 1996; MITHEN et al., 2000)
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(AL-QATTAN et al., 2006).
(LAU, 2006)
(GORINSTEIN et al., 2005).
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(WHO, 2003)