Fatores ambientais, dietéticos e fisiológicos podem modular a necessidade de ingestão diária de água. Dias quentes, por exemplo, exigem maior hidratação. A prática de atividade física em dias e horários com temperaturas elevadas também exige mais reposição de água, pois a taxa de sudorese aumenta significativamente. No frio, as perdas hídricas também acontecem devido ao metabolismo energético, ao uso de roupas pesadas, ao aumento de diurese e por meio da respiração.
A maior parte do peso dos indivíduos é composta por água. Em um neonato, cerca de 75 a 80% do peso é água. Aos 12 meses, o teor de água é 65 % do corpo e na adolescência e na fase adulta, a água representa 60%.
A água é essencial para todas as funções orgânicas: sistema circulatório, digestivo, absorção, evacuação e manutenção da temperatura corporal. Auxilia também a lubrificar e amortecer as articulações, protegendo o cordão espinhal e outros tecidos sensíveis.
A baixa quantidade de água faz o sangue ficar mais viscoso e grosso e, por isso, provoca distúrbios de concentração, perda de disposição para realizar atividades diárias, ressecamento dos olhos e tecidos das vias aéreas, tornando o indivíduo mais propenso a inflamações, infecções, baixa produção de saliva, constipação intestinal e sangramento retal.
Em relação aos fatores dietéticos, o aumento do consumo de fibras resulta em maior quantidade de água excretada com as fezes. Depois de metabolizadas, as proteínas produzem uréia - produto que requer água (de 40 a 60 ml para cada 2,2 g de uréia) para ser excretado nos rins. Pacientes com diabetes melitus precisam de mais atenção devido às mudanças do balanço acido-base e o aumento da osmolaridade, que resultam em maior excreção de água pela urina.
Os distúrbios hidroeletrolíticos são eventos extremamente comuns na prática médica, principalmente em situações de emergência, quando - dependendo da magnitude - podem representar seqüelas ou risco de vida para o paciente.
A desidratação tem sua importância definida pela intensidade das perdas líquidas e pela proporção de perdas salinas. Os distúrbios do sódio comprometem o sistema nervoso central e pode provocar arritmias cardíacas, merecendo atenção especial e tratamento cuidadoso.
A queda da osmolalidade plasmática cria um ambiente favorável à entrada de água nas células, levando a edema cerebral. Vários sintomas e sinais podem estar relacionados à desidratação hidroeletrolitica.
A necessidade de água dos indivíduos varia de acordo com as taxas metabólicas e ingestão hídrica. Indivíduos sadios - sem disfunção renal, cardiovascular ou metabólica necessitam, diariamente, de 1.800 ml de água por metro quadrado de superfície corporal. Veja a tabela abaixo:
| Peso |
Água (ml/kg/dia) |
| 0 a 10 kg |
100 |
| 10 a 20 kg |
1000 + 50 ml/kg 10 |
| Acima de 20 kg |
1500 + 20 ml/kg 20 |
Necessidades diárias de água em relação ao peso. Um indivíduo com peso entre 10 e 20 Kg necessita de 1.000ml + 50ml por cada quilo de peso acima de 10.Exemplo: um indivíduo com 15 Kg de peso, necessita diariamente de 1000ml + 50 x 5 = 1.250ml.